Por que os imóveis compactos estão ganhando espaço no Setor Marista?
O Setor Marista é um dos bairros mais valorizados de Goiânia e, nos últimos anos, um tipo específico de imóvel vem ganhando cada vez mais espaço nos novos lançamentos: os apartamentos compactos.
Studios, apartamentos de um quarto e unidades com metragens menores aparecem em diferentes projetos voltados para quem busca praticidade, localização e, principalmente, uma alternativa de investimento.
Mas por que as construtoras estão apostando nesse formato justamente em uma das regiões mais valorizadas de Goiânia?
A resposta envolve preço do imóvel, perfil dos compradores, localização, demanda por aluguel e mudanças no estilo de vida.
O Setor Marista está entre as regiões mais valorizadas de Goiânia
Antes de entender os compactos, é importante olhar para o próprio bairro.
O Setor Marista está entre as regiões mais caras do mercado imobiliário de Goiânia.
Dados da Ademi-GO mostram que o preço médio do metro quadrado nos quatro bairros de maior demanda da capital — Marista, Bueno, Oeste e Jardim Goiás — chegou a R$ 12.881 no primeiro trimestre de 2026.
No Marista, os valores podem ser ainda maiores dependendo da localização, padrão construtivo e características do empreendimento.
Isso cria um desafio para o mercado:
quanto mais caro fica o metro quadrado, maior fica o preço final de apartamentos grandes.
É aí que os imóveis compactos ganham espaço.
O que é considerado um imóvel compacto?
Não existe uma metragem única que defina um apartamento compacto.
No mercado, normalmente entram nessa categoria:
- studios;
- apartamentos de 1 quarto;
- apartamentos de 1 suíte;
- unidades com aproximadamente 20 m² a 50 m²;
- apartamentos planejados para otimizar os espaços.
No Setor Marista, esse tipo de produto aparece principalmente em empreendimentos voltados para pessoas que valorizam localização e praticidade.
Um apartamento menor pode permitir que o comprador tenha acesso a uma região valorizada gastando menos no valor total do imóvel.
Por que as construtoras estão apostando nesse formato?
Um dos principais motivos é matemático.
Imagine dois apartamentos no mesmo bairro:
Apartamento A: 100 m² × R$ 13 mil/m² = R$ 1,3 milhão.
Apartamento B: 35 m² × R$ 13 mil/m² = R$ 455 mil.
O metro quadrado continua sendo caro.
Mas o valor total da compra fica muito mais acessível.
Isso amplia o público potencial do empreendimento.
Uma pessoa que não consegue ou não quer investir mais de R$ 1 milhão em um imóvel pode considerar um compacto de R$ 400 mil ou R$ 500 mil.
Para o investidor, isso também muda a conta.
O compacto pode ser uma porta de entrada para investir no Marista
Essa é uma das principais características desse mercado.
O investidor não precisa necessariamente comprar um apartamento de alto padrão com mais de 100 m² para ter exposição ao Setor Marista.
Um studio ou apartamento de um quarto pode representar uma entrada mais acessível no bairro.
Isso pode interessar principalmente a quem procura:
renda de aluguel + potencial de valorização + localização.
Mas é importante não confundir preço menor com investimento automaticamente melhor.
Um imóvel compacto só faz sentido se a relação entre preço de compra, aluguel, condomínio, demanda e liquidez for favorável.
Existe demanda por apartamentos pequenos no Marista?
Existe uma combinação de fatores que ajuda a explicar a procura.
O Setor Marista concentra uma grande quantidade de:
- restaurantes;
- bares;
- academias;
- clínicas;
- escritórios;
- escolas;
- serviços;
- áreas de lazer;
- comércio.
Isso torna o bairro atrativo para pessoas que preferem morar perto de tudo.
Para determinados públicos, um apartamento de 35 m² em uma localização estratégica pode fazer mais sentido do que um imóvel de 100 m² em uma região mais distante.
A lógica muda de:
“Quanto espaço eu quero?”
para:
“Quanto vale morar perto de tudo?”
O perfil de quem compra compactos também mudou
O comprador de um studio não é necessariamente uma pessoa que não pode comprar um imóvel maior.
Existem diferentes perfis:
Jovens profissionais
Pessoas que trabalham na região e querem reduzir deslocamentos.
Solteiros
Quem mora sozinho pode não precisar de dois ou três quartos.
Casais sem filhos
Para alguns casais, localização e praticidade pesam mais do que metragem.
Investidores
Compradores que procuram imóveis com potencial de locação.
Pessoas que querem diversificar patrimônio
Em vez de colocar todo o capital em um único imóvel grande, alguns investidores preferem unidades menores.
E o aluguel?
Aqui está uma das principais razões para os compactos chamarem atenção dos investidores.
O aluguel não é determinado apenas pela metragem.
Um apartamento pequeno em uma localização muito procurada pode ter um aluguel relativamente alto em relação ao valor total de compra.
Por exemplo, um imóvel de R$ 450 mil alugado por R$ 2.500 teria uma receita bruta mensal equivalente a aproximadamente 0,56% do valor do imóvel.
Já um imóvel de R$ 1,3 milhão alugado por R$ 4.500 teria aproximadamente 0,35% ao mês.
Isso é apenas um exemplo matemático.
Não significa que esses sejam os valores reais praticados no Marista.
Na análise real, ainda precisam entrar condomínio, IPTU, manutenção, vacância, impostos e outros custos.
Mas o exemplo mostra por que o investidor olha para imóveis compactos.
A localização pode compensar a metragem menor
Um dos grandes diferenciais do Setor Marista é justamente a localização.
O bairro está próximo de áreas como:
- Setor Bueno;
- Setor Oeste;
- Jardim Goiás;
- Parque Areião;
- Parque Vaca Brava.
Além disso, possui uma concentração muito grande de comércio e serviços.
Para quem compra pensando em locação, isso pode ampliar o público interessado.
Uma pessoa pode aceitar morar em um imóvel de 30 ou 40 m² se conseguir ter restaurantes, academia, mercado, trabalho e lazer próximos.
O número de empreendimentos no Marista também chama atenção
O crescimento dos compactos não acontece isoladamente.
Um levantamento da AutImob identificou 43 empreendimentos entre lançamentos, obras em andamento e entregas previstas até 2028 no Setor Marista. O levantamento também aponta valores de metro quadrado superiores a R$ 13 mil no bairro.
Esse volume mostra que existe uma forte movimentação das incorporadoras na região.
E quando várias empresas desenvolvem produtos diferentes no mesmo bairro, fica mais fácil perceber uma mudança no perfil do mercado.
Parte dos projetos busca o comprador tradicional de alto padrão.
Outra parte procura investidores e compradores interessados em unidades menores.
Compacto não significa necessariamente barato
Esse é um ponto importante para quem está pesquisando imóveis em Goiânia.
Um apartamento compacto pode ter um valor total menor, mas continuar tendo um metro quadrado muito elevado.
Por exemplo:
Um studio de 30 m² vendido por R$ 450 mil custa:
R$ 15 mil por m².
Enquanto um apartamento de 100 m² vendido por R$ 1,3 milhão custa:
R$ 13 mil por m².
Por isso, olhar apenas para o preço total pode levar o investidor a uma conclusão errada.
É fundamental comparar:
preço total + preço por m² + aluguel + custos + potencial de valorização.
Por que os compactos podem continuar crescendo?
Existem alguns fatores que favorecem esse modelo.
1. Preço elevado dos terrenos
Em bairros valorizados, o terreno representa uma parcela importante do custo de um empreendimento.
Projetos com unidades menores conseguem distribuir o custo do terreno por um número maior de apartamentos.
2. Mudança no perfil dos moradores
Nem todo comprador precisa de três ou quatro quartos.
3. Procura por praticidade
A localização passou a ser um dos principais atributos para determinados públicos.
4. Investimento para aluguel
Unidades menores podem atender uma parcela grande do mercado de locação.
5. Entrada mais acessível
O preço total pode ser menor do que o de um apartamento tradicional no mesmo bairro.
É melhor comprar um compacto ou um apartamento grande no Marista?
Não existe uma resposta única.
Depende do objetivo.
Para morar
Um apartamento maior pode fazer mais sentido para famílias e pessoas que valorizam espaço.
Para investir
O compacto pode ser interessante quando existe boa demanda de aluguel e o preço de aquisição é compatível com a renda que o imóvel consegue gerar.
Para valorização
É necessário analisar localização, qualidade do empreendimento, escassez de terrenos, padrão construtivo e desenvolvimento da região.
Para liquidez
Também é importante pensar em quem será o próximo comprador.
Um imóvel que atende a um público muito específico pode demorar mais para ser vendido.
O que analisar antes de comprar um compacto no Marista?
Se a ideia é investir, não compre apenas porque o apartamento é pequeno ou porque está em um bairro valorizado.
Compare:
Preço por m²
Veja quanto imóveis semelhantes estão sendo vendidos.
Condomínio
Em unidades pequenas, um condomínio muito alto pode prejudicar bastante a rentabilidade.
Demanda de aluguel
Pesquise imóveis semelhantes e observe quanto tempo levam para serem alugados.
Localização
Uma diferença de poucas quadras pode mudar bastante a demanda.
Vaga de garagem
Dependendo do público, pode ser um diferencial importante.
Estrutura do condomínio
Academia, coworking, lavanderia, piscina e áreas comuns podem aumentar a atratividade do imóvel.
Potencial de revenda
Pense não apenas em quem vai alugar, mas em quem compraria o imóvel de você no futuro.
Então, por que os compactos estão ganhando espaço no Setor Marista?
A resposta passa principalmente pela combinação entre metro quadrado caro, demanda por localização, mudanças no perfil dos moradores e busca dos investidores por imóveis com valores totais menores.
Em um bairro onde o m² já ultrapassa a casa dos R$ 13 mil em determinadas referências, reduzir a metragem é uma forma de tornar o valor total do imóvel mais acessível sem abrir mão da localização.
E para o investidor, isso cria uma possibilidade interessante:
comprar menos metros quadrados, mas estar em uma das regiões mais consolidadas de Goiânia.
Isso não significa que todo compacto seja um bom investimento.
O que determina o potencial do imóvel é a combinação entre preço de compra, aluguel, custos, demanda, localização e possibilidade de valorização.
Por isso, antes de comprar um studio no Setor Marista, a pergunta não deveria ser apenas:
“Quanto custa esse apartamento?”
Mas sim:
“Quanto esse imóvel pode render e por quanto eu consigo revendê-lo no futuro?”